quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O que é a filosofia? (Nietzsche)

Nas poucas páginas que se seguem consta o esforço de elucidar o problema “O que é a filosofia?” na visão do pensador alemão Nietzsche. Para essa tarefa era necessário destacar o objeto primordial da questão com o único objetivo de não contaminar o conceito com o filósofo e a sua especulação filosófica e assim evitar transformar o trabalho em uma descrição cronológica ou uma dissertação de acordo com a vida e obra do autor.

No livro “A genealogia da moral” Nietzsche descreve uma instigante reflexão sobre a sua visão de filosofia. Essa citação organizou todo rumo para elucidar “O que é a filosofia?”, afastando o perigo de responder “Qual é o produto que essa filosofia produziu?”. Sendo distintas as perguntas, logo perseguem objetivos distintos.

“Esse é o único modo de pensar digno de um filósofo. Não temos o direito, por qualquer motivo, a viver isolados. Não nos é permitido enganar-nos nem encontrar a verdade por acaso. Pelo contrário, assim como é necessário que uma árvore dê frutos, assim nós frutificamos nossas idéias, nossos valores, nossos “sim”, nossos “não”, nossos “se” , nossos “como” que se desenvolvem, todos aparentados e relacionados entre si, como testemunhas de uma vontade, de uma saúde , de um terreno, de um sol. – Serão de nosso gosto esses frutos de nosso pomar? Mas que importa às árvores? Que importa para nós os filósofos?”

Fica claro que aqui permanece o rumo mais coerente na busca em decifrar “O que é a filosofia?” na visão dionisíaca de Nietzsche. O filósofo elucida a sua forma de ver a filosofia e determina o método de uma investigação honesta e corajosa.

Para Platão, o pensamento tinha que se libertar dos conceitos míticos de sua época. O pensamento só devia ter o compromisso com a verdade. Nietzsche vai além na sua busca. Para o filósofo, o pensamento tem que se libertar de todas as amarras. Até mesmo das regras caducas postas à filosofia. O pensamento não deve ter e nem estabelecer limites para o discurso filosófico. Era preciso até ir de encontro à própria metafísica dos pensadores de sua época. Não vê-la como peça fundamental da filosofia, mas um instrumento para interpretar e regrar o mundo e não uma explicação do universo. Era preciso ir de encontro também aos guardiões da “ratio”, mesmo que isso lhe trouxesse desgosto, sofrimento e a mais profunda rejeição. O Filósofo não pode permanecer escondido em sua torre de marfim por causa das consequências da utilidade da verdade. É preciso, a todo custo, ter um espírito livre.

Também, em muitos dos seus livros, repudiava quem buscava além das estrelas um sentido para existência. Crítico ferrenho da moral cristã, buscava um novo modo de sentir e de pensar. A razão de existir estava em preparar o caminho para chegada de um ser superior, um ser além-do-homem. O filósofo gritaria nos quatro cantos do universo: Deus morreu e com ele a sua filosofia e o seu rebanho. Todos os rebanhos irão findar na preguiça e no esquecimento.

Nietzsche via no homem uma ponte, uma passagem e um declínio. Era no declínio que o homem superaria as suas angustias de viver e fortificaria para continuar a sua jornada evolutiva. O homem era a corda que liga o macaco ao super-homem. A sua grande questão foi o sentido da existência e o valor desse sentido.

Em dois livros (“O anticristo” e “Assim falava Zaratustra”) Nietzsche coloca o filósofo como um ser superior à humanidade. O filósofo é, em sua opinião, um ser de “de consciência nova para verdades que até hoje permaneceram mudas”. Em “Crepúsculo dos ídolos” Nietzsche chegou a comparar o filosofo a uma junção de animal e deus. Esse ser humano-divino se revela um invasor da verdade com ânimo irrequieto, perquiridor. Impossível de domesticar. Disposto a destruir idéias ou, como gostava de denominá-los, ídolos.

Em “Ecce homo” Nietzsche nos diz mais um pouco dessa filosofia que batalhou por toda sua vida. Um relato que se aproxima mais com o Nietzsche filósofo:

“A filosofia, como a compreendi e a vivi até agora, é vida voluntária no meio do gelo e nas altas montanhas – é a busca de tudo o que é estranho e duvidoso na existência, de tudo o que foi até agora proscrito pela moral”.

Essa citação é o retrato fiel de um Nietzsche filósofo. Um homem que fez de sua filosofia a grande transmutação de todos os valores. Essa disposição o fez declarar que já nasceu póstumo (O anticristo) por ser totalmente ignorado em sua época devido aos temas que ousou levantar. Afirmou que não querer admitir o erro não era só um estado de cegueira, mas, certamente, um ato macabro da covardia. Cada conquista da verdade é uma vitória da coragem. O filósofo não deve ser um escravo da opinião pública, do senso comum, da preguiça privada. Deve utilizar a sua existência para combater o conformismo, a mentira. Matar a sua época e estar pronto para morrer com ela e assim despertar a sua época para vida, a fim de resolver, eles próprio, com ela e nela.

Nietzsche lutou com louvor nas suas questões, mas na obra “Genealogia da moral” admite a possibilidade do erro. Confessou que as suas reflexões não estavam livres de um outro martelo mais hábil. Porém, isso não é um reflexo de um filósofo vestido da mais pura humildade. Em “Ecce homo” a sua exuberância é a própria petulância. Uma filosofia sem papas na língua. A verdade é um ponto seco, astuto, sem cerimônia. Ao refletir a possibilidade do erro em algum lugar em seus livros, ele só estava sendo drasticamente coerente com o que acreditava ser filosofia. Mesmo se titulando como “destino”, o próprio destino poderia ser analisado, pesado e alterado por um sentido mais criterioso. A sua verdade também poderia sim conter mentiras.

Nessa viagem empolgante e enriquecedora pelo mundo de Nietzsche, pude experimentar a sua paixão pela filosofia em todos os momentos. Senti todas as suas angustias camufladas em perversos demônios. Contemplei um pensador moralista comprometido em mudar o mundo com um aforismo esmagador, bárbaro. Um cruel martelo para psedo-ídolos. O vi a laquear, em cores cinzas da história, uma nova filosofia. Uma filosofia que ignora a utilidade da verdade, que ignora o senso comum da humanidade e que define o filósofo caiado no papel heróico de um ser superior. O que é a filosofia para Nietzsche? É a boa e velha rebeldia da juventude, é desfrutar a solidão na presença literária dos outros pensadores, é estar sereno e indiferente aos preconceitos e convenções sociais, é o ócio criativo, é estar embriagado pela coragem e acreditar na vitória plena contra qualquer tipo de domesticação.

Referência Bibliográficas:

* Nietzsche, Friedrich Wilhelm. Ed Escala. Assim falava Zaratustra.

* Nietzsche, Friedrich Wilhelm. Ed Escala. A genealogia da moral.

* Nietzsche, Friedrich Wilhelm. Ed Escala. Além do bem e do mal.

* Nietzsche, Friedrich Wilhelm. Ed Escala. Crepúsculo dos ídolos.

* Nietzsche, Friedrich Wilhelm. Ed Escala. Ecce homo.

* Nietzsche, Friedrich Wilhelm. Ed Escala. Schopenheuer Educador

* Nietzsche, Friedrich Wilhelm. Ed Martin Claret. O anticristo.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

III Simpósio Internacional Sobre Religiosidade, Diálogos Culturais e Hibridações.

21 a 24 de Abril de 2009 Campo Grande – MS/Brasil

Realização: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Departamento de História e Direito, Centro de Ciência Humanas e Sociais
Laboratório de Representações Religiosas e Identitárias
ANPUH/MS

www.simposioreligioes.ufmas.br
Simposio@nin.ufms.br

Nascente do Cavouco - UFPE (Ensaio fotográfico)

"A natureza é apenas para quem vive no campo"
Jean de La Bruyère
"Só se pode vencer a natureza obedecendo-lhe"
Francis Bacon
"A natureza e a arte parecem afastar-se, mas antes que o pensemos já elas se encontraram"
Johann Wolfgang von Goethe
"Hoje em dia, aqueles que amam a natureza são acusados de romanescos"
Sébastien-Roch Chamfort
"Nada nos impede mais de ser naturais do que o desejo de o parecermos"
François de La Rochefoucauld
"Adote o ritmo da natureza. O segredo dela é a paciência"
Ralph Emerson
"O natural também é uma pose"
Oscar Wilde
"Eis a natureza que te convida e te ama; mergulha no seu seio que ela constantemente te oferece"
Alphonse de Lamartine
“Quão pouco tempo é preciso para mudar todas as coisas! Natureza de fonte serena, com que facilidade te esqueces”
Victor Hugo
"A natureza reservou para si tanta liberdade que não a podemos nunca penetrar completamente com o nosso saber e a nossa ciência"
Johann Goethe
"A natureza detesta o vazio"
Blaise Pascal

XXVI Semana De História

20 ANOS DA QUEDA
DO MURO DE BERLIM:
Queda e Construção
De novos (PRÉ) Conceitos
13 a 17
De Abril de 2009
No Anfiteatro do ICH/UFJF

Para maiores informações e inscrições acesse:
WWW.SEMANADEHISTORIA.UFJF.BR

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Workshop é Amanhã

Workshop: Ontologia e Matemática

9h30mim. Prof. Dr. Anastácio B Araújo Jr (UFPE)
A natureza dos Números nos Diálogos de Platão.

11h. Prof. Dr. Érico Andrade.(UFPE)
Descomprometimento Ontológico e Constituição do Objeto Matemático nas Regras para Direção do Espírito.

14h. Prof. MS Leonardo Cisneiros (UFRPE)
O Intucionismo Contemporâneo de DRUMMETT e PRAWITZ

15h15mim. Prof. Dr. Fernando Raul Neto (UFPE)
A Metafísica das quantidades Negativas e Conceito de Bedeutung em Frege.

17h Prof. Dr Marco Rufino (UFRJ)
Números como Objetos Lógicos.
Dia 03 Abril de 2009
Auditório de Filosofia
15° Andar
CFCH – UFPE

Psicologia Humanista. (Resenha)

Psicologia humanista é uma divisão da psicologia surgida como uma reação ao determinismo dominante nas práticas psicoterapêuticas do behaviorismo e principalmente da psicanálise. Teve forte influência da Psicologia da Gestalt alemã, com sua visão holística e organísmica, a ainda das Psicologias Existenciais e da Fenomenologia.

Os psicólogos humanistas estão unidos para proliferar os seus conceitos no estudo da Psicologia e torná-la, assim, mais voltada para o homem, objetivando questões a respeito da pessoa integral. É preciso entender que o humanismo é uma visão antropocêntrica. O homem é autor da sua própria existência, da sua própria historicidade e também preso a essa historicidade. Até problemas mais significativos devem ser o objeto das investigações psicológicas para entender aquele individuo, a sua essência, sua individualidade. Diferente de outras visões atuais da psicologia, o Humanismo entende que o homem não deve ser compreendido como um mero estudo dos comportamentos de ratos, porcos, chimpanzés ou outro animal qualquer. Percebem que a essência do homem não está contida nesses animais e sim nele mesmo.

Um dos conceitos elaborado pelos humanistas foi a alteração da ideia de “paciente” para “cliente”. Essa simples mudança de denominação proporcionaria ao psicólogo uma relação serviçal com o seu paciente, enriquecendo a vida desse cliente primeiramente e secundariamente buscando métodos para atingir o seu autoconhecimento.

Para os humanistas, o homem não deve ser compreendido, estudado e reduzido por categorias (ex. percepção, aprendizagem, personalidade). A busca por decifrá-lo está no próprio homem. É necessário entender que tudo está relacionado com seu “existir”.

A consciência intuitiva também exerce extrema importância. Nos métodos de pesquisa preconizados são aceitáveis todos os procedimentos – os métodos objetivos, a introspecção informal, o estudo de casos, a análise literária etc.

Para finalizar, é importante compreender que para os humanistas tudo que permanece no homem ajuda a elucidar e compreender os fenômenos psíquicos do seres humanos.

terça-feira, 31 de março de 2009

O PONTO DE VISTA HUMANISTA


Os psicólogos orientados humanisticamente estão unidos por um objetivo comum: desejam humanizar a psicologia. Isto é, querem fazer da psicologia o estudo daquilo “que significa estar vivo como ser humano”. Eles têm origens diversas e variam consideravelmente em suas teses individuais. Mesmo assim, a maioria dos psicólogos orientados humanisticamente participam das seguintes atitudes gerais.


1. Embora os cientistas do comportamento tenham que adquirir conhecimento, seu objetivo principal deve ser o de servir. Os psicólogos devem ajudar as pessoas a compreenderem-se e desenvolverem-se até o máximo de sue potencial. Devem visar à expansão e ao enriquecimento das vidas humanas.

2. Os cientistas do comportamento devem estudar os seres humanos vivos como um todo, em vez de compartimentalizar o funcionamento em categorias, tais como percepção, aprendizagem e personalidade (observe-se influência da Gestalt).

3. Os problemas humanos significativos – inclusive a responsabilidade pessoal, objetivos de vida, engajamento, auto-realização, criatividade, espontaneidade e valores – devem ser o objeto das investigações psicológicas.

4. Os cientistas do comportamento deverão focalizar sua atenção na consciência subjetiva (o modo como as pessoas visualizam suas próprias experiências), uma vez que a interpretação é fundamental em toda atividade humana (essa ênfase também reflete a influência da psicologia da Gestalt).

5. Os cientistas do comportamento devem esforçar-se por compreender o individual, o excepcional e o imprevisível, assim como o geral e o universal. Em contrapartida, os psicólogos psicanalistas, neobehavioristas e cognitivistas interessam-se mais por descobrir as leis gerais do funcionamento.

6. OS métodos específicos que os cientistas do comportamento adotam devem ser secundários aos problemas que estes decidem estudar. Assim, os psicólogos humanistas empregam muitos tipos de estratégias de pesquisa: Métodos objetivos, estudo de casos individuais, técnicas introspectivas informais e, mesmo, a análise de obras literárias. Pois os psicólogos humanista, acreditando que a consciência intuitiva e uma fonte válida de informação, não hesitam em confiar em sua próprias impresões e sentimentos subjetivos.


Visão Humanista.

Objetivo:

Questões a respeito da pessoa integral, da experiência humana subjetiva e de problemas humanos significativos; o extraordinário e o individual, bem como o comum e o universal.

Principal Finalidade:

Primariamente, serviços e enriquecimento da vida; secundariamente conhecimentos.

Métodos de Pesquisa Preconizados:

A consciência intuitiva do observador é considerada importante. São aceitáveis todos os procedimentos – os métodos objetivos, a introspecção informal, o estudo de casos, a análise literária etc.

População Estudada:

As pessoas.

Trecho do livro "Introdução À Psicologia", de Linda L Davidoff.